Aurora boreal verde dançando sobre o céu ártico

A aurora boreal e o réveillon que nunca vou esquecer

Por Bella Drummond

Experiência realLapônia3 de abril de 20266 min de leituraAtualizado em 30 de setembro de 2026

Eu poderia começar com os números. Quase 19h de voo. Oito dias. Três países. Temperaturas entre -10°C e -31°C. Um grupo de brasileiros completamente fora do seu habitat natural.

Mas a verdade é que nenhum número explica o que acontece quando você vê a aurora boreal pela primeira vez.

A ideia era simples — e ao mesmo tempo completamente maluca: passar o réveillon na Lapônia, com duas amigas, em busca de um fenômeno que a maioria das pessoas só vê em foto.

Foi por isso que escolhemos viajar com a Agência Aurora Boreal do Marcos Brotto — e essa foi, sem dúvida, uma das melhores decisões da viagem. A estrutura foi impecável: viajamos de ônibus pela Lapônia, cruzando cidades da Noruega, da Suécia e da Finlândia, com alguém que conhece cada centímetro daquela terra gelada.

A Lapônia é uma região que se estende pelo norte da Finlândia, da Noruega, da Suécia e de parte da Rússia. É a terra dos povos Sámi, do Papai Noel — ao menos segundo a tradição finlandesa — e, acima de tudo, da aurora boreal. Fica acima do Círculo Polar Ártico, onde o inverno significa escuridão quase total e temperaturas que testam qualquer ser humano nascido em clima tropical.

Para quem cresceu no Brasil, a Lapônia é literalmente outro planeta.

Estradas cobertas de neve. Lagos completamente congelados. Paisagens que parecem pinturas — brancas demais para serem reais. E aquela escuridão particular do inverno ártico, onde às 3 da tarde o céu já está escuro como se fosse meia-noite.

Lapônia · O silêncio branco que só quem foi entende
Lapônia · O silêncio branco que só quem foi entende

É assim que eles chamam — caçadas. A busca pela aurora boreal é uma expedição noturna, cheia de expectativa e adrenalina silenciosa.

Conseguimos ver a aurora na maior parte das noites. Fizemos passeios com huskies siberianos. Andamos de snowmobile naquela escuridão que já conhecíamos bem — e que, estranhamente, já começava a parecer normal.

Em algum lugar entre a Noruega e a Suécia · Caçando a aurora pela janela do ônibus
Em algum lugar entre a Noruega e a Suécia · Caçando a aurora pela janela do ônibus

Embora o foco da viagem fosse a caçada, tivemos a sorte de conhecer um pouco de Tromsø — e me arrependo de não ter tido mais tempo.

O centro da cidade, ainda enfeitado com a decoração de Natal, tinha aquele charme escandinavo que parece cenário de filme. Ruas iluminadas, neve fresca, lojas aquecidas. Uma dessas cenas que você guarda nos olhos.

Jantamos no Restaurante Egon — boa comida, ótimo custo-benefício, exatamente o tipo de lugar que eu gosto de recomendar: sem frescura, mas com qualidade.

Na maioria dos restaurantes noruegueses, você faz o pedido no caixa ou pelo aplicativo — e o garçom traz quando estiver pronto. Sem chamar garçom, sem esperar a conta. Eficiente e prático.

Nos hotéis, não espere maleteiro. Você mesmo carrega sua mala do táxi — ou do ônibus — até o quarto. É a cultura da autonomia escandinava. Você se acostuma rápido. E começa a achar que faz todo sentido.

O Marcos escolheu um lugar especial para a nossa virada. Não era um bar. Não era uma festa. Era um campo aberto na Lapônia, a -25°C, com o céu limpo acima de nós.

Verde. Linda. Dançando. Tomando o céu inteiro.

Éramos um grupo de brasileiros que, em sua maioria, nunca tinham estado num lugar com frio tão intenso — chegou a ser sofrido para alguns. Mas ficamos com os olhos cheios d’água diante desse espetáculo da natureza. Foi uma noite muito especial, mesmo com um frio de quase -32°C.

Um réveillon que vai ficar na minha memória para sempre.

Estávamos voltando de uma caçada e chegamos em Kiruna — a cidade onde estávamos hospedadas — quando a aurora apareceu de novo. Dessa vez, sobre a cidade. Saímos correndo do hotel como se fôssemos perder o trem. Casacos abertos, câmeras na mão, rindo e gritando.

A aurora é assim. Ela não pede licença. Ela aparece — e você para tudo.

O Marcos, que já viu centenas de auroras, ainda tem a empolgação e a emoção de quem está vendo pela primeira vez.

Kiruna, Suécia · A aurora que apareceu quando menos esperávamos
Kiruna, Suécia · A aurora que apareceu quando menos esperávamos

Kiruna, Suécia · A aurora que apareceu quando menos esperávamos

Mais do que qualquer expectativa que eu pudesse ter.

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