A aurora boreal e o réveillon que nunca vou esquecer

Eu poderia começar com os números. Quase 19h de voo. Oito dias. Três países. Temperaturas entre -10°C e -31°C. Um grupo de brasileiros completamente fora do seu habitat natural.

Mas a verdade é que nenhum número explica o que acontece quando você vê a aurora boreal pela primeira vez.

Como tudo começou

A ideia era simples — e ao mesmo tempo completamente maluca: passar o réveillon na Lapônia, com duas amigas, em busca de um fenômeno que a maioria das pessoas só vê em foto.

Foi por isso que escolhemos viajar com a Agência Aurora Boreal do Marcos Brotto — e essa foi, sem dúvida, uma das melhores decisões da viagem. A estrutura foi impecável: viajamos de ônibus pela Lapônia, cruzando cidades da Noruega, da Suécia e da Finlândia, com alguém que conhece cada centímetro daquela terra gelada.

A Lapônia é uma região que se estende pelo norte da Finlândia, da Noruega, da Suécia e de parte da Rússia. É a terra dos povos Sámi, do Papai Noel — ao menos segundo a tradição finlandesa — e, acima de tudo, da aurora boreal. Fica acima do Círculo Polar Ártico, onde o inverno significa escuridão quase total e temperaturas que testam qualquer ser humano nascido em clima tropical.

Um mundo que parecia de outro planeta

Para quem cresceu no Brasil, a Lapônia é literalmente outro planeta.

Estradas cobertas de neve. Lagos completamente congelados. Paisagens que parecem pinturas — brancas demais para serem reais. E aquela escuridão particular do inverno ártico, onde às 3 da tarde o céu já está escuro como se fosse meia-noite.

Lapônia · O silêncio branco que só quem foi entende

As Caçadas

É assim que eles chamam — caçadas. A busca pela aurora boreal é uma expedição noturna, cheia de expectativa e adrenalina silenciosa.

Conseguimos ver a aurora na maior parte das noites. Fizemos passeios com huskies siberianos. Andamos de snowmobile naquela escuridão que já conhecíamos bem — e que, estranhamente, já começava a parecer normal.

Em algum lugar entre a Noruega e a Suécia · Caçando a aurora pela janela do ônibus

Tromsø — a cidade que vimos de passagem (e que vale uma parada)

Embora o foco da viagem fosse a caçada, tivemos a sorte de conhecer um pouco de Tromsø — e me arrependo de não ter tido mais tempo.

O centro da cidade, ainda enfeitado com a decoração de Natal, tinha aquele charme escandinavo que parece cenário de filme. Ruas iluminadas, neve fresca, lojas aquecidas. Uma dessas cenas que você guarda nos olhos.

Jantamos no Restaurante Egon — boa comida, ótimo custo-benefício, exatamente o tipo de lugar que eu gosto de recomendar: sem frescura, mas com qualidade.

Na maioria dos restaurantes noruegueses, você faz o pedido no caixa ou pelo aplicativo — e o garçom traz quando estiver pronto. Sem chamar garçom, sem esperar a conta. Eficiente e prático.

Nos hotéis, não espere maleteiro. Você mesmo carrega sua mala do táxi — ou do ônibus — até o quarto. É a cultura da autonomia escandinava. Você se acostuma rápido. E começa a achar que faz todo sentido.

Réveillon na Lapônia

O Marcos escolheu um lugar especial para a nossa virada. Não era um bar. Não era uma festa. Era um campo aberto na Lapônia, a -25°C, com o céu limpo acima de nós.

Verde. Linda. Dançando. Tomando o céu inteiro.

Éramos um grupo de brasileiros que, em sua maioria, nunca tinham estado num lugar com frio tão intenso — chegou a ser sofrido para alguns. Mas ficamos com os olhos cheios d’água diante desse espetáculo da natureza. Foi uma noite muito especial, mesmo com um frio de quase -32°C.

Um réveillon que vai ficar na minha memória para sempre.

Outro momento muito especial

Estávamos voltando de uma caçada e chegamos em Kiruna — a cidade onde estávamos hospedadas — quando a aurora apareceu de novo. Dessa vez, sobre a cidade. Saímos correndo do hotel como se fôssemos perder o trem. Casacos abertos, câmeras na mão, rindo e gritando.

A aurora é assim. Ela não pede licença. Ela aparece — e você para tudo.

O Marcos, que já viu centenas de auroras, ainda tem a empolgação e a emoção de quem está vendo pela primeira vez.

Kiruna, Suécia · A aurora que apareceu quando menos esperávamos

Vale a pena?

Mais do que qualquer expectativa que eu pudesse ter.

A Lapônia no inverno não é uma viagem fácil. O frio é sério. A escuridão é real. Mas é exatamente por isso que ela transforma. Você volta diferente — com um olhar novo para os dias ensolarados do Brasil e com uma vontade enorme de viver essa magia de viajar novamente.

Se você está pensando em ir: vai. Não espere a hora certa. A hora certa é agora.

Informações práticas

📍 Lapônia — Finlândia, Noruega e Suécia

🗓️ Final de dezembro — Réveillon

🌡️ Temperaturas que encontrei: entre -10°C e -31°C — mas a Lapônia pode ser ainda mais fria dependendo do período e das condições climáticas

✨ Vimos a aurora na maioria das noites — mas lembre-se: é um fenômeno natural, que depende de atividade solar, nebulosidade e condições climáticas. Nenhuma viagem garante o avistamento. O que você pode fazer é aumentar suas chances escolhendo bem a época e o destino.

🚌 Pacote com a Agência Aurora Boreal — Marcos Brotto